Pokémon e a representação de cientistas

Cientistas na Franquia de Jogos Pokémon

Olá! Bem-vindo ao Minuto Otaku! Meu nome é Fernando Alves, mas pode me chamar de Fhrek. Essa plataforma é um espaço para apreciadores da cultura asiática! Algumas pessoas gostam de animes, outras gostam de mangá, outras curtem jogos virtuais! Eu mesmo… estudo representações de ciência e cientistas em produções da cultura nerd/geek como parte da minha profissão! A abertura desse texto te lembrou alguma coisa? Se sim, você, assim como eu, jogou muito os jogos da franquia Pokémon ao ponto de reconhecer o discurso de abertura proferido pelo Professor Oak – Carvalho para nós brasileiros, porém, para efeitos de nomenclatura usaremos a versão em inglês que aparecem nos jogos.

Olá! Bem-vindo ao mundo de Pokémon! Meu nome é Oak! As pessoas me chamam de Professor Pokémon! Esse mundo é habitado por criaturas chamadas Pokémon! Para algumas pessoas, Pokémon são animais de estimação. Outras os usam para batalhas. Eu mesmo… estudo Pokémon como uma profissão.

Professor Oak, abertura dos jogos Pokémon Red and Green (1996)

Então, você já ouviu falar de Pocket Monster? Ou Pokémon? Em fevereiro de 1996, a então desconhecida produtora de jogos Game Freak e a gigante em ascensão Nintendo, lançaram para GameBoy as primeiras versões do jogo de monstrinhos de bolso Pocket Monsters Red and Green, fora do Japão a marca ficaria conhecida como Pokémon. Desde então, a franquia se tornou um fenômeno mundial quebrando recordes de consumo e marketing em diferentes mídias – games, mangás, animes, filmes, brinquedos, roupas, músicas, eventos e torneios competitivos. Então chegamos em 2021, ano em que marca completa 25 anos de lançamento do primeiro jogo e a Nintendo está preparando eventos comemorativos para celebrar o sucesso da franquia Pokémon.

Divulgação/Nintendo – Celebração Aniversário de 25 Anos

Em vista disso, conforme minha área de estudo, estou preparando uma série de artigos sobre a representação de ciência e cientistas que apareceram ao longo da franquia. Porém, a marca Pokémon é abrangente e diversificada, por isso vou me concentrar nos personagens cientistas que apareceram até o momento na linha de jogos principais, e quem sabe no futuro abordar a participação daqueles que apareceram nos animes, nos filmes e nos jogos spin-off, ou seja, jogos derivados da aventura original.

Ao longo dos 25 anos, os jogos Pokémon começaram com 151 monstrinhos em 1996 e, até a presente data, se encontram na 8ª geração contando com 898 parceiros capturáveis. O crescimento do número de novos Pokémon aconteceu ao longo de 33 títulos da franquia entre originais e remakes, distribuídos em 6 consoles diferentes – Gameboy; Gameboy Color; Gameboy Advanced; Nintendo DS; Nintendo 3DS; Nintendo Switch. Nessa trajetória, 24 cientistas ou Professores Pokémon foram apresentados nos jogos, sendo que 8 – Spoiler alert: Na imagem aparecem 9, porém Sonia, neta da Professora Magnolia, é assistente de sua avó e só recebe o título de Professora Pokémon no pós-aventura – aparecem como figura introdutória e apresentação do mundo Pokémon ao iniciarmos um novo jogo.

Reprodução/Bulbapedia-Bulbagarden – Professores Pokémon

A Narrativa dos Jogos

Os jogos Pokémon são um misto dos gêneros RPG, aventura e estratégia, na qual nós como jogadores encarnamos uma criança que acaba de completar 11 anos e está pronto para receber o primeiro parceiro Pokémon. A nossa missão é sair de casa em uma jornada para explorar o mundo, conhecendo novas pessoas, capturando mais Pokémons e batalhando com outros treinadores, todos com diferentes objetivos e paixões de vida. Uma criança de 11 anos de idade saindo pelo mundo acompanhada apenas por seu animal de estimação! Muito louco, né?

Independente da história particular de cada jogo, a narrativa é a mesma, e a sua primeira missão no jogo é encontrar o Professor Pokémon local. Essa pessoa vai te oferecer a possibilidade de escolha entre três parceiros iniciais, um do tipo planta, um do tipo fogo e um do tipo água. Enquanto seu rival durante a história escolherá outro, quase sempre escolhendo um tipo oposto mais forte ao qual o jogador escolhe, só nas versões Pokémon Sun/Moon/Ultra Sun/Ultra Moon o rival vai escolher a opção de tipo mais fraca (Sim! O Hau é muito gente boa!) Exceções a essa regra são os jogos Pokémon Yellow, no qual o personagem vai iniciar com um Pikachu, e em Let’s Go Pikachu/Eevee, na qual o jogador adquire o companheiro da versão do jogo. Após escolher seu companheiro de aventuras, o professor Pokémon irá pedir um favor em específico aos treinadores iniciantes – explorar o continente e capturar todos os monstrinhos que encontrarem afim de ajudar em sua pesquisa completando as informações da Pokedex.

Uma receita perfeita, não acham? Quem diria que esse enredo simples, despretensioso e inusitado faria tanto sucesso ao ponto de estar sendo preparada uma comemoração global de aniversário de 25 anos por uma das maiores produtoras de vídeo games do mundo. Mas, agora qual a importância dessa narrativa simplista para a compreensão pública da ciência?

Teoria das Representações Sociais

Uma das bases para responder esse questionamento passa pela Teoria das Representações sociais, proposta por Serge Moscovici, psicólogo social romeno de nacionalidade francesa. Os estudos dessa teoria foram iniciados na década de 1960 por Moscovici em associação com outros pesquisadores nas áreas de psicanálise, sociologia, antropologia, história da ciência e desenvolvimento cognitivo. Para esses pesquisadores, ao utilizarmos essa abordagem metodológica para investigar a formação de culturas e subculturas, torna-se possível reconhecer o indivíduo como modificador do social e o social como movimento de transformação coletiva das atitudes, crenças e expectativas desses mesmos indivíduos. Segundo Moscovici, a Teoria das Representações Sociais

…toma, como ponto de partida, a diversidade dos indivíduos, atitudes e fenômenos, em toda sua estranheza e imprevisibilidade. Seu objetivo é descobrir como os indivíduos e grupos podem construir um mundo estável, previsível, a partir de tal diversidade.

(MOSCOVICI, 2015. p. 79)

O diferencial da Teoria das Representações Sociais para outros campos de pesquisa é a utilização de dois conceitos bem específicos: (a) ancoragem, um processo de formação de signos e conhecimentos prévios inconscientes e (b) objetivação, um processo de reconhecimento consciente das representações sociais formais entendendo a sociedade como uma realidade em si. E todo esse sistema de ancoragem e objetivação foi baseado em sistemas epistemológicos de comportamentos, interesses, relacionamentos e trocas sócios-históricas entre sujeitos nas suas coletividades como um dos caminhos para compreender como o conhecimento científico está presente no cotidiano daqueles que “adquirem seu conhecimento de senso comum na base da observação e da experiência”. (MOSCOVICI, 2015. p. 317)

Os jogos Pokémon possuem exemplos da Ancoragem no roteiro principal: duas versões opostas do jogo; a abertura da versão com um Pokémon lendário ou mítico; a apresentação do universo Pokémon feito por um professor ou assistente; a escolha do nome; a escolha do primeiro parceiro de viagem entre os tipos planta, fogo ou água; tutoriais de não entrar na grama sem um companheiro de batalha, aprender a capturar um Pokémon selvagem; os Centro Pokémons e Loja são idênticos, assim como as enfermeiras Joys e oficiais Jennys; o sistema de progressão por leveis e avançando por ginásios para conseguir insígnias. A narrativa muda, os continentes mudam, mecânicas de jogos são adicionadas, porém, características bases dos jogos existentes na primeira versão lançada em 1996 continuam a se repetir na fórmula de construção da experiência do jogador como uma estratégia para

…elaborar produtos que os consumidores tenham a sensação de ser algo novo, mas que, ao mesmo tempo, seja algo reconhecível, dentro dos padrões em que o público já esteja familiarizado.

(COSTA, 2017. p. 77)

Jogadores novos vão aprender essas características enquanto se aventuram, enquanto jogadores de versões anteriores, inconscientemente, reconhecerão as mecânicas, funções e funcionamentos trazendo para o consciente os conhecimentos adquiridos pela experiência anterior, ou seja, estarão fazendo a Objetivação das ancoragens prévias.

Pokémon e a Representação de Cientistas

Em conjunto aos mecanismos de Ancoragem e Objetivação, trago para essa discussão a análise de representações de cientistas e ciências voltados para conteúdo em mídias audiovisuais porque são importantes para o reconhecimento também da figura dos cientistas nos jogos. Isso porque a figura do cientista é uma constante nos jogos da franquia, gerando símbolos e memórias, o sentido de que “audiências facilmente reconhecem as caricaturas de cientistas” (KIRBY, 2014. p. 44), reconhecendo os estereótipos e os símbolos peculiares relacionados à cultura científica ancorados no imaginário público da ciência associados a profissão cientista (REZNIK, 2017): (a) presença da figura do cientista; (b) área de atuação do cientista; (c) gênero do cientista; (d) local onde aparecem cientistas; (e) Faixa etária do cientista; (f) Cor de pele do cientista; e (g) Atributos físicos do cientista.

Com base nas características destacadas veja a seguir os cientistas principais que apareceram nas oito gerações dos jogos Pokémon. Lembrando que os personagens apresentados e suas descrições foram baseadas nas aparições nos jogos, mesmo que algumas imagens reflitam aparição nos animes.

Professores(as) Pokémon

Professor Samuel Oak – Pallet Town
(Red/Green/Blue/Yellow/FireRed/LeafGreen/Let’s go Pikachu/Eevee)

Screenshot/Pokémon Let’s Go Pikachu

Samuel Oak foi o primeiro Professor Pokémon apresentado ao público e o com mais aparições em jogos da franquia. Podemos descrevê-lo como um Biólogo Cultural. Professor Oak é representado como um homem branco idoso, aparentemente acima dos 60 anos de idade. Sempre jovial e de bom humor. Seu laboratório e centro de pesquisa está localizado na cidade de Pallet Town na região de Kanto, onde faz estudos sobre o Relacionamento entre Humanos e Pokémon.

Sempre vestindo seu jaleco branco e acompanhado por referências científicas. Ele é responsável por entregar aos novos treinadores uma Pokedex e um Pokémon inicial entre Bulbasaur – Charmander – Squirtle – Pikachu – Eevee, dependendo da versão sendo jogada.

Professor Bill – Cerulean City
(Red/Green/Blue/Yellow/FireRed/LeafGreen/Let’s go Pikachu/Eevee)

Screenshot/Pokémon Let’s Go Pikachu

Bill é homem, branco e jovem, aparentemente entre 20/30 anos de idade. Trabalha em seu laboratório pessoal ao norte da cidade de Cerulean. Podemos descrevê-lo como um engenheiro inventor.

Mesmo jovem, ele é o criador do famoso Sistema de Depósito Pokémon. Um sistema desenvolvido para guardar itens, emails e Pokémons capturados pelo jogador durante a aventura. O jogador pode levar consigo no máximo seis Pokémons em pokebolas, qualquer monstrinho capturado acima desse limite é enviado para o “PC”. E, futuramente, durante a narrativa descobrimos que estes são transferidos para o centro de pesquisas do Professor Oak na cidade de Pallet.

Bill é uma figura excêntrica, pois se veste como Pokémon e testa as próprias invenções, sem se preocupar com a própria segurança e os efeitos adversos que possam ocorrer.

Professor Elm – New Bark Town
(Gold/Silver/HeartGold/SoulSilver)

Screenshot/Pokémon Anime

Professor Elm é homem, branco, na casa dos 30 anos de idade. Mora e trabalha na cidade de New Bark na região de Johto. Um tanto atrapalhado e desorganizado, é casado e pai de um menino que sonha em ser Professor Pokémon como o pai. Podemos descrevê-lo como um Biólogo Veterinário.

Elm estuda as diferentes habilidades Pokémon, sendo especialista no campo da reprodução Pokémon. Na história dos jogos, é ele quem entrega o primeiro ovo Pokémon aos jogadores e recruta outros treinadores para ajudá-lo em suas pesquisas sobre “breeding”.

Na região de Johto é o professor responsável por entregar aos novos treinadores o Pokémon inicial entre Chikorita – Cyndaquil – Totodile.

Professor Silktree – Violet City
(Gold/Silver/Crystal/HeartGold/SoulSilver)

Reprodução Serebii.net/Ruins of Alph

Professor Silktree é apenas mencionado nos jogos, porém sua importância no enredo dos jogos da segunda geração é grande. Ele é o fundador do Centro de Pesquisa que opera nas Ruins of Alph, um sítio arqueológico para estudar os segredos dos Unown e a origem dos Pokémon na região de Johto. Podemos dizer que foi um arqueólogo, paleontólogo ou historiador.

Vários cientistas se reúnem nas Ruins of Alph para escutar os sons produzidos pelos Unown e estudarem os mistérios envolvendo os Pokémons suas origens, histórias e segredos.

Leader Bugsy – Azelea Town
(Gold/Silver/Crystal/HeartGold/SoulSilver)

Screenshot/Pokémon HeartGold

Bugsy é homem, branco, ainda adolescente e talentoso treinador. Ele é o líder do ginásio em Azelea Town, especialista em Pokémons do tipo inseto. Podemos descrevê-lo como um Biólogo Entomólogo.

Além de líder de ginásio, ele é pesquisador de insetos. Seus conhecimentos são tão avançados nesse campo de estudo, que mesmo jovem, Bugsy ganhou o título de “A Enciclopédia Ambulante sobre Pokémon Inseto” em reconhecimento aos detalhes e por ter descoberto o Fury Cutter, um movimento Pokémon do tipo inseto.

Kurt – Azelea Town
(Gold/Silver/Crystal/HeartGold/SoulSilver)

Reprodução/Pokemon.Fandom

Kurt é homem, branco, idoso entre 60/70 anos de idade. Vive com sua neta Maizie na cidade de Azelae, onde é reconhecido por construir diferentes Pokebolas. Podemos defini-lo como artesão e cidadão-pesquisador.

Kurt não é um cientista no rigor da palavra, mas seus estudos envolvendo as diferentes propriedades das frutas Apricorns e as variadas características dos Pokémons, levaram o artesão a ser reconhecido como um especialista em construir Pokebolas específicas para variadas situações, espécies, comportamentos e habitats dos monstrinhos.

Professor Birch – Littleroot Town
(Ruby/Sapphire/Emerald/OmegaRuby/AlphaSapphire)

Screenshot/Pokemon Alpha Sapphire

Professor Birch é homem, branco, entre 30/40 anos de idade. Mora com sua família e trabalha na cidade de Litteroot. É um dos professores mais gente boa das histórias, sempre ocupado e trabalhando no campo, o que rende confusões. Ele é o pai do ou da personagem rival dos jogadores nos títulos da terceira geração. Podemos descrevê-lo como um Biólogo Naturalista.

Birch trabalha com observação de Pokémons selvagens em seus diferentes habitats naturais, seus estudos ajudam as crianças a entenderem comportamentos, naturezas e formas de capturar os monstrinhos. O pesquisador escreveu vários livros sobre o tema. Na região de Hoenn é responsável por entregar o primeiro Pokémon aos treinadores iniciantes, entre Treecko – Torchic – Mudkip.

Capitão Stern – Slateport City
(Ruby/Sapphire/Emerald/OmegaRuby/AlphaSapphire)

Reprodução/Pokémon.Fandom

Captain Stern é homem, branco, acima dos 50 anos de idade. É oceanógrafo e capitão na cidade de Slateport.
Sua importância nos jogos é inquestionável, ele é responsável pelo estilo de vida de várias cidades na região de Hoenn. Seus conhecimentos em navegação, oceanografia, comércio, história e vida marinha são refletidos nas ações que ele desempenha. Stern construiu o S.S. Tidal, navio responsável por transportar pessoas e ligar as cidades de Lilycove e Slateport. Ele também criou o Museu Oceânico, local de exposição e estudo da vida marinha de Hoenn.

Professor Takao Cozmo – Fallabor Town
(Ruby/Sapphire/Emerald/OmegaRuby/AlphaSapphire)

Reprodução/Bulbapedia-Bulbagarden

Professor Cozmo é homem, branco, entrando na casa dos 40 anos de idade. Ele é um Metereólogo, um especialista nas ciências que estudam meteoros, meteoritos e outros materiais que caem do espaço extraterrestre.
O mundo Pokémon desde a primeira versão tem especialistas estudando fósseis, pedras evolutivas e os mistérios arqueológicos como tendo origens de outro mundo. Cozmo é um dos primeiros personagens dentro dos jogos descrito como especialista estudando técnicas de escavação apropriada de meteoritos e as propriedades ocultas de relíquias.

Professor Rowan – Sandgem Town
(Diamond/Pearl/Platinum)

Screenshot/Pokemon Diamond

Professor Rowan é homem, branco, idoso acima dos 60 anos de idade. De personalidade intimidadora e firme, esconde um senhor bondoso e gentil. Ele é o primeiro professor Pokémon a não trabalhar ou morar na mesma cidade ponto de partida do jogador. Podemos descrevê-lo como Biólogo Geneticista.

Rowan é grande amigo de Samuel Oak, ele estuda as possibilidades e propriedades do sistema de evolução dos Pokémons. Ele descobriu que 90% de todos dos Pokémons estão ligados de alguma forma com os outros através da evolução. Rowan se questiona se a evolução é a forma dos monstrinhos chegarem a maturidade ou se a evolução é como seres incompletos se tornam mais completos. E, se esses processos são aplicados aos Pokémons lendários.

Como Professor Pokémon residente da região de Sinnoh, é responsável por entregar aos treinadores iniciantes o primeiro parceiro de viagens entre Turtwig – Chimchar – Piplup.

Professor Aurea Juniper – Nuvema Town
(Black/White/Black 2/White 2)

Screenshot/Pokemon Black

Professor Aurea Juniper é a primeira mulher a ser apresentada como professora residente nos jogos. Sua área de especialidade é a origem dos Pokémons, fazendo pesquisa de campo e análise de dados recolhidos por toda região de Unova. Podemos descrevê-la como Bióloga Naturalista.

Aurea é mulher, branca, aparentando estar na casa dos 30 anos de idade. Ela é amigável e acolhedora com os treinadores iniciais ao ponto de acompanha-los na jornada entre a cidade inicial e a seguinte, ensinando-os como capturar Pokémon durante o trajeto. E, fica sempre em contato através do Xtransceiver o comunicador que serve como Pokédex na região de Unova.

Professor Juniper, diferente dos demais professores, entrega a Pokedex e o primeiro Pokémon enviando uma caixa de presente para a casa dos futuros treinadores, que podem escolher entre Snivy – Tepig – Oshawott. Fato interessante, ela é filha do também pesquisador Cedric Juniper.

Professor Cedric Juniper – Mistralton City
(Black/White/Black 2/White 2)

Screenshot/Pokémon Anime

Professor Cedric Juniper é o pai da Professor Aurea Juniper. Homem, branco, acima dos 60 anos de idade. Cedric é receptivo, porém meio no mundo das nuvens, ele é encontrado pelos jogadores em diferentes cidades do jogo. Porém, reside na cidade de Mistralron. Podemos descrevê-lo como Biólogo Naturalista. Cecric é um pesquisador aposentado e vive viajando pelo continente, especialista no estudo da distribuição dos Pokémons pela região de Unova e a biologia dos monstrinhos.

Seu conhecimento é tão vasto, que ele é responsável por atualizar a Pokedex dos jogadores da versão regional para a versão nacional, incluindo dados referentes aos Pokémons de outras regiões.

Doctor Fennel – Striaton City
(Black/White/Black 2/White 2)

Screenshot/Pokemon Anime

Fennel é mulher, branca e jovem, ainda entre 20/30 anos de idade. É amiga da Professor Aurea Juniper, as duas se conheceram na faculdade. Podemos descrevê-la como Inventora e Neurocientista.

Doctor Fennel como é conhecida, estuda treinadores Pokémons e sonhos Pokémons. Ela é a criadora do C-Gear, um dispositivo de comunicação capaz de coletar, armazenar e identificar conteúdos diferentes. Ao estudar os Pokémons Munna e Musharna que habitam o Dreamyard e as propriedades da Névoa dos Sonhos, Fennel serve como guia para os jogadores entrarem na funcionalidade Pokémon Dream World. Um recurso no qual os jogadores podem trocar Pokémons e itens entre os jogos da quinta geração.

Colress
(Black/White/Black 2/White 2/Sun/Moon/Ultra Sun/Ultra Moon)

Screenshot/Pokemon Ultra Sun

Colress é homem, branco, entre 30/40 anos. Ele é um cientista trabalhando para o Team Plasma, a organização de vilões nos jogos da quinta geração. Podemos descrevê-lo como Inventor.

Com seu visual high-tech, ele viaja pela região de Unova estudando e batalhando contra treinadores. Seu objetivo é descobrir maneiras de utilizar o máximo da força e potencial dos Pokémons. Futuramente, ele viaja para outras regiões ainda pesquisando os mistérios do vínculo entre treinadores e Pokémons como parte da sua pesquisa.

Professor Andrew Park
(Black/White/Black 2/White 2)

Screenshot/Pokemon Black

Professor Andrew Park não aparece para além dos sprites de jogo, mas tem função importante nos jogos da quinta geração. Ele é responsável por dirigir o Poke Transfer Lab, um laboratório para comunicação e transferência de Pokémons de versões anteriores dos jogos.

O laboratório só pode ser acessado após o jogador receber a atualização da Pokedex regional para a nacional. É importante mencioná-lo aqui, porque dá o senso de continuidade científica para o trabalho de Professor Bill na primeira geração dos jogos.

Professor Augustine Sycamore – Lumiose City
(X/Y)

Screenshot/Pokemon Y

Professor Augustine Sycamore é homem, branco, entre 30/40 anos de idade. Quando mais novo aprendeu muito de seus conhecimentos sobre Pokémon diretamente de Professor Rowan. Podemos descrevê-lo como Biólogo Geneticista.

Sycamore não é o primeiro professor a ter treinadores como assistente, mas é o primeiro a enviar cartas às mães explicando o que está sendo pedido aos novos treinadores durante suas jornadas. Ele é especialista no estudo da Mega Evolução dos Pokémons.

Como professor residente da região de Kalos, oferece aos novos treinadores a opção de escolherem entre Chespin – Fennekin – Froakie como Pokémons inciais.

Professor Kukui – Ten Carat Hill
(Sun/Moon/Ultra Sun/Ultra Moon)

Screenshot/Pokemon Sun

Professor Kukui é homem, negro, entre 25/35 anos de idade. É o primeiro professor Pokémon residente não branco a aparecer em um jogo Pokémon. Sua pesquisa estuda os movimentos, a força de batalha dos Pokémons e os Z-Moves. Podemos descrevê-lo como Físico Experimentalista. Ele é casado com a, também cientista, Professor Burnet.

Kukui antes de se tornar professor residente na região de Alola, viajou pela região de Kanto quando era treinador, desafiando os líderes de ginásios, participou do torneio da liga em Kanto e chegou a batalhar contra Lance, o mestre dos Dragões. Essa experiência o levou criar a Liga Pokémon em Alola.

Como professor residente da região de Alola, oferece aos novos treinadores a opção de escolherem entre Rowlet – Litten – Popplio como Pokémons iniciais.

Professor Burnet – Haehae City
(Sun/Moon/Ultra Sun/Ultra Moon)

Screenshot/Pokemon Anime

Professor Burnet é mulher, negra, entre 25/35 anos de idade. Casada com Professor Kukui, ela é cientista no Laboratório de Pesquisa Dimensional e estuda a relação entre Pokémons e outras dimensões. Podemos descrevê-la como uma Física especialista em Mecânica Quântica.

Burnet é amiga de Doctor Fennel, tendo aparecido em Pokémon Dream Radar, recurso para o console Nintendo 3DS no qual o jogador é assistente da Professor Burnet nos estudos que ela faz na Zona Entresonhos como parte da pesquisa entre dimensões.

No Laboratório de Pesquisa Dimensional localizado na ilha de Akala, Burnet estuda os estranhos fenômenos ocorridos relacionados com as aparições de Ultra Wormholes pelo arquipélago de Alola.

Professor Samson Oak – Malie City
(Sun/Moon/Ultra Sun/Ultra Moon)

Screenshot/Pokemon Anime

Professor Samson Oak é homem, negro, acima dos 60 anos de idade. É primo do famoso Samuel Oak. Samson é pesquisador das diferentes formas regionais e dos Pokémons Totens de Alola. Podemos descrevê-lo como Biólogo Naturalista.

Ele viaja pelo arquipélago usando uma Kanto Pokedex que ganhou de seu primo para comparar as diferenças e semelhanças entre os Pokémons das duas regiões, os Kantonianos e Alolans. Sem contar que esse senhor idoso é um especialista em surfar em Mantines, uma tradição da região de Alola.

Professor Mohn – Poke Pelago
(Sun/Moon/Ultra Sun/Ultra Moon)

Screenshot/Pokemon Ultra Sun

Professor Mohn é homem, branco, entre 30/40 anos de idade. Aparenta ser um simples pescador. Mohn é o administrador do Poke Pelago, um arquipélago acessível apenas através do Charizard chamado no PokeMontaria. No entanto, Mohn foi pesquisador na Fundação Aether e o primeiro a confirmar a existência dos Ultraworm Holes e das Ultra Beasts no universo Pokémon.

Podemos dizer que Mohn tem conhecimento profundo sobre Pokémons. Porque o Poke Pelago funciona como um santuário para Pokémons semelhante aos centros de pesquisa dos professores residentes das outras regiões, um espaço que os Pokémons capturados pelo jogador e depositados no PC podem ir para relaxarem, praticarem atividades e ganharem experiência. Além de ter espaço para o plantio de Berries e coleta de Pokebeans.

Professor Magnolia – Wedgehurst
(Sword/Shield)

Screenshot/Pokemon Shield

Professor Magolia é mulher, branca, acima dos 60 anos de idade. É a primeira Professor Pokémon a se aposentar e passar o cargo para futura geração. Podemos descrevê-la como Bióloga e Física.

Por muitos anos Magnolia pesquisa o fenômeno conhecido Dynamax, recorrente na região de Galar. Ela é especialista no assunto e conhece os segredos de transformar Wishing Stars – a fonte de energia Dynamax – em Dynamax Band, o dispositivo que auxilia os treinadores a produzirem o efeito no qual o Pokémon distorce o espaço para mudar de tamanho e o mundo a sua volta, tendo uma variante conhecida como Gigantomax.

Como professor residente na região de Galar, oferece aos novos treinadores a opção de escolherem entre Grookey – Scorbunny – Sobble como Pokémons iniciais.

Professor Sonia – Wedgehurst
(Sword/Shield)

Screenshot/Pokemon Shield

Professor Sonia é mulher, branca, na casa dos 20 anos de idade. Inicialmente, é assistente de pesquisa de sua avó Magnolia. Podemos descrevê-la como Historiadora e Mitóloga. Durante o tempo que passou como assistente de Professor Magnolia, Sonia adquiriu conhecimentos sobre a história e lendas da região de Galar.

Especificamente, as lendas do Rei de Galar e os acontecimentos do Dia Mais Escuro, o que a levam a descobrir a existência dos Pokémons lendários Zacian, Zamazenta e Eternatus. O livro escrito sobre essa descoberta à levam a ser reconhecida na comunidade científica e promovida a Professor Pokémon residente em Galar quando sua avó se aposenta. Ela mantém contato com o Poke Transfer Lab na região de Unova.

Professor Cara Liss
(Sword/Shield)

Reprodução/Bulbapedia-Bulbagarden

Professor Cara Liss é mulher, branca, na casa dos 20 anos de idade. Ela é arqueóloga especialista em Pokémons fósseis. Ela possui uma máquina capaz de ressuscitar fósseis, especificamente juntando duas metades de fósseis encontrados na região de Galar, formando híbridos de raças diferentes.

Considerações Finais

É importante notarmos que nas primeiras versões dos jogos todos os professores e cientistas são homens brancos acima dos 30 anos de idade. Enquanto, as primeiras representações de cientistas mulheres protagonistas só aparecem em Black/White na quinta geração de Pokémon, quatorze anos após o lançamento do primeiro jogo. E, a representação de cientistas não brancos protagonistas demoram ainda mais, sendo apresentados pela primeira vez em Sun/Moon na sétima geração, vinte anos depois dos primeiros jogos.

Essas inclusões nos jogos Pokémon podem ser (ou não) resultados das discussões e estudos sobre gênero (ARIMA, 2003; OGLETREE et al, 2004; MIYAMOTO, 2016), relações étnicas e discriminação (BONAZZO; WONG, 2007) ocorridas na comunidade japonesa no início do século XXI. E, provavelmente, foram estratégias para alcançar e captar mais públicos consumidores para a franquia em todas as mídias da marca Pokémon. Algo que fica claro nesses personagens é a constante e marcante presença da figura de cientistas em diversificados campos de estudos nos jogos da franquia ao longo dos vinte e cinco anos de existência dos monstrinhos de bolso.

Para além dos personagens NPC (Non-player characters) que aparecem como treinadores de jaleco e óculos durante as aventuras, todos os jogos apresentam personagens com importância e relevância na narrativa das aventuras e que são apresentados de forma única aos jogadores criando um vínculo emotivo, que fortalece a representação da profissão de cientista as futuras gerações. Se não de forma consciente, essas representações sociais podem, através da recorrência – ancoragem, ganharem um espacinho no inconsciente de crianças e adolescentes que entram no fantástico mundo Pokémon.

E, você, já conhecia esses personagens cientistas? Conhece algum outro que não entrou nessa lista? Conta aí nos comentários qual a sua relação com os jogos Pokémon e como eles marcaram (ou não) a sua vida!

Referências bibliográficas

ARIMA, A.N. Gender Stereotypes in Japanese Television Advertisements. Sex Roles 49, 2003. p. 81–90.

BONAZZO, C; WONG, Y. J. Japanese international female students’ experience of discrimination, prejudice, and stereotypes. College Student Journal. 41, 2007. p. 631-639.

COSTA, R. S. Os jogos de memórias e a construção de universos: As adaptações cinematográficas de histórias em quadrinho de super-heróis. TESE. Rio de Janeiro: UNIRIO – Centro de Ciências Humanas e Sociais – Programa de Pós-Graduação em Memória Social, 2017.

KIRBY, D. A. Cinematic science. In: BUCCHI, M.; TRENCH, B. Handbook of Public Communication of Science and Technology. [S.l.]: Routledge International, 2014. Cap. 4, p. 41-56.

MIYAMOTO, Y. Gendered Bodies in Tokusatsu: Monsters and Aliens as the Atomic Bomb Victims. The Journal of Popular Culture, Wiley Periodicals, Inc., v. 49, n. 5, p. 1086-1106, October 2016.

MOSCOVICI, S. Representações Sociais – Investigação em psicologia social. 11ª Edição. ed. Petropolis, RJ: Vozes, 2015.

OGLETREE, S.M; MARTINEZ, C.N; TURNER, T.R. et al. Pokémon: Exploring the Role of Gender. Sex Roles 50, 2004. p. 851–859

REZNIK, G. Imagem da ciência e de cientistas em curtas de animação. DISSERTAÇÃO. Rio de Janeiro: UFRJ – Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza – Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Técnicas e Epistemologia, 2017.

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Comentários

  1. Querido Fernando, parabéns pelo texto sensacional! Provocou várias lembranças da infância… nessa época, chamava muito a minha atenção o fato de cientistas/professores não trabalharem sozinhos e interagirem com os mais jovens. Durante a leitura desse texto, fiquei impressionada que os termos professor e cientista estão sempre juntos para se referir ao papel desses profissionais. Encontrei essa questão no mangá Astro Boy, onde o termo “professor” aparece mais do que “cientista” nos dois primeiros volumes para se referir ao papel de pesquisador naquela história. Estou curiosa para saber se você percebeu algum sentido atribuído ao papel de professor relacionado ao papel pesquisador nessa narrativa do Pokémon! No mangá Astro Boy é impressionante como o papel do professor e cientista aparece na figura do Ochanomizu enquanto mediador de conflitos preocupado com os impactos das tecnologias científicas na sociedade japonesa.

    1. Oi Bruna! Obrigado pela parabenização! Fico muito feliz que tenha gostado e a leitura trouxe lembranças!
      Nas literaturas que tenho consultado, o “Cientista” é mais voltado para referir aos cientistas clássicos, ou seja, quem faz pesquisa científica e se limita a atuar como pesquisador, inventor ou praticante de procedimentos científicos. Enquanto, o Professor, além de ser um cientista clássico, também atua lecionando em sala de aula, geralmente é líder em grupos de pesquisa e tem essa dedicação dupla de pesquisar e ensinar, especialmente para os mais jovens.
      Enquanto pesquisava os “Professores” Pokémon essa distinção fica bem clara, porque os “Professor” nos jogos são (ou foram em algum momento – Cedric Juniper e Magnolia), especificamente, pesquisadores residentes nas regiões liderando laboratórios de pesquisas focados no estudo e ensino da cultura sobre Pokémon. Eles são auxiliados pelos líderes de ginásios, por pesquisadores assistentes e pelos jovens treinadores, ao mesmo tempo sendo aquela figura que os treinadores podem recorrer a conselhos durante suas jornadas. Dois exemplos desse comportamento são: o Professor Oak nos primeiros jogos, ele tem pesquisadores espalhados pela região de Kanto que auxiliam e dão informações para os treinadores durante as aventuras e, a Professor Aurea Juniper em Unova que esta sempre em contato com os treinadores pelo Xtransceiver.