Daniele Gonçalves: animes, garotas e era digital

Estamos na era digital das redes sociais onde recebemos constantemente um grande fluxo de informações. O site Garotas que curtem animes’ é fruto disso. Criado em 2008, inicialmente era uma comunidade na extinta rede social ”Orkut” o corpo de membros dessa comunidade era composto por meninas e mulheres fãs de animes e também meninos que curtem esse tipo de conteúdo. Em pouco tempo a comunidade cresceu, mas logo entrou em vigor a febre do Facebook, o que acabou resultando na queda significativa do número de membros, então houve a migração para a rede social que estava mais em evidência. No início, a página Garotas que curtem animes no facebook teve um crescimento pequeno e a maioria dos seus seguidores eram os mesmos que interagiam no Orkut. Aos poucos a página foi crescendo e se destacando entre o público feminino fã de anime e cultura pop asiática. Hoje a página conta com mais de 200 mil seguidores e além da página, há também o site que foi criado com o intuito de aumentar a aproximação do público para um conteúdo diferenciado e mais abrangente sobre temas relacionados à cultura pop asiática.

O Minuto Otaku entrevistou com exclusividade a criadora do site Garotas que curtem animes, a empreendedora Daniele Gonçalves.

Como começou sua paixão pela cultura pop japonesa?
Na infância, assistindo Sakura Card Captors, sem saber que era anime. Depois tudo aumentou na adolescência, onde passei a consumir e conhecer muitos outros animes.

Como surgiu a ideia do site? Você escreve sozinha ou há outras pessoas na sua equipe?
Surgimos no orkut no ano de 2008 e no início era apenas uma comunidade composta por meninas e mulheres fãs de animes, depois migramos para o facebook e  um tempo depois foi criado o site. O site foi criado em 2014, com a ajuda do meu marido que é programador. A maior parte do conteúdo é escrito por mim e há também dois colaboradores, Rafael e Isabela.

Em que ponto você percebeu que havia a necessidade de criar um site para a página?
No ponto em que meu marido olhou bem para o que eu fazia e disse: “Isso que você faz é um trabalho, já está na hora de profissionalizar isso… Vamos fazer um site pra você.”

Qual é o maior desafio de manter uma página/site que fala sobre a cultura otaku?
Um dos maiores desafios é manter ele sempre atualizado e estar sempre por dentro das ultimas notícias sobre os animes. Tem que buscar muita informação, verificar veracidade e daí repassar para os leitores em um período em que a notícia não seja mais considerada “antiga”.

Você é jornalista?
Não, não sou jornalista. A minha formação é em Pedagogia. eu gosto muito de escrever e faço alguns freelas de redatora mas é porque eu gosto mesmo, mas sou pedagoga por formação. 

Sobre o que você mais gosta de escrever nesse universo dos animes e mangás?
O que mais gosto é escrever sobre curiosidades e sobre novas temporadas de animes que eu sei que o pessoal esperava muito para ter….rs

Vocês cobrem eventos de anime?
Eu gostaria muito mas aqui onde eu moro (cidade de Cricúma em Santa Catarina) não é comum ter esses eventos. Tem mais em Florianópolis. Eu sou de São Paulo e costumava ir em eventos quando morava lá, mas na época eu ainda não tinha a página. Eu gostaria muito que tivessem mais eventos aqui em Santa Catarina mas agora nesse momento não é possível por causa da pandemia.

Você já sofreu algum tipo de preconceito por ser uma mulher escrevendo sobre animes e mangás?
Preconceito eu nunca senti mas uma coisa que já passei e ainda passo é por assédio. Recebo muitas mensagens de garotos e homens puxando assunto e chegam a falar baixarias. Mas eu relevo e ignoro. Teve uma época que a página estava ”bombando” no facebook, era muito comum os seguidores se reunirem pessoalmente e a maioria era homem e eles até que eram respeitosos. Mas pela internet eu já recebi muitas mensagens me assediando. 

E qual seria o maior desafio de ser uma otome aqui no Brasil?
Acho que o maior desafio que vejo é, como já disse, o grande assédio virtual que a gente acaba passando, isso é o desafio mais sério. Agora, o problema mais comum de ser otome no Brasil, é a falta de ambientes direcionados para esse nicho, eventos, espaços e encontros, principalmente fora de São Paulo.

Não poderíamos deixar de perguntar aqui, qual o seu anime e mangá favoritos?
Sakura Card Captors, como toda garota que cresceu nos anos 80/90, Black Jack, SakuraSou, e o pouco conhecido, Gankutsuō. Já dos animes mais atuais, gosto de Violet Evergarden e Fruit Basket.

E personagem preferido?
Black Jack e Kakashi, pela personalidade deles.

Daniele em nome de toda a equipe do portal Minuto Otaku agradecemos sua participação e desejamos muito sucesso em seu site. Esperamos te ver aqui em outras oportunidades no futuro.
Agradeço a oportunidade que o Minuto Otaku me deu para falar um pouquinho sobre o Garotas Que Curtem Animes e a história por trás do conteúdo que sempre posto para os leitores. E também, por poder falar um pouquinho sobre mim e me apresentar para vocês e para alguns leitores meus, que talvez nem me conheciam antes dessa entrevista. Estou feliz de poder ter tido essa conversa com vocês. Obrigada.

Conheça a página Garotas que curtem animes:

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Comentários

  1. Só consigo pensar que realmente é urgente repensar essa masculinidade no Brasil. Esses episódios parecem tão recorrentes que infelizmente eu até já esperava que iria aparecer em algum momento da entrevista. Porém, fico bem feliz em ver que isso não a fez desistir e etc., porque é importante demais o que ela faz.

  2. Parabéns pela iniciativa, Daniele! Sem dúvida o seu trabalho mostra como é possível levar com seriedade e leveza um trabalho relacionado à cultura pop japonesa que ainda pode motivar muitos jovens a desejarem escrever e estudar sobre! ^-^