Crítica│Attack On Titan Temporada Final – Parte 2

A segunda parte da 4ª temporada final de Attack on Titan chegou ao fim. O anime finalizou com mais 12 episódios que seguiram fielmente o mangá, e que de certa forma agradou a alguns, mas outros nem tanto.

Attack on Titan (Shingeki no Kyojin) conquistou uma legião de fãs desde seu lançamento do anime em 2013 e ao longo de 9 anos acompanhamos Eren na sua luta para proteger Paradis contra os ataques iminentes de Marley.

Com o fim do anime, sabemos que esse não foi ainda o grande final da saga! Então, vamos falar um pouco do que aconteceu nessa última parte da temporada.

Opening x Ending

A nova música tema de abertura ficou por conta da banda SiM com ‘The Rumbling’, que dividiu opiniões entre os fãs, mas que se encaixou perfeitamente no clima de tensão do auge do conflito entre países, e na batalha que Eren carregou dentro de si ao longo dos episódios.

O estúdio MAPPA também não poupou esforços em colocar sinais de vários spoilers da história já de cara! Mas que foram difíceis de entender se você não sabe nada da história.

Se você não foi atrás da tradução, trouxe aqui um pedaço da letra:

“Tudo que sempre quis fazer foi fazer as coisas certas
Eu nunca quis ser o rei
Eu juro!
Tudo que sempre quis fazer foi salvar a sua vida
Eu nunca quis pegar em uma faca
Eu juro! (Juro)

Se eu perder tudo, escorregar e cair
Nunca desviarei o olhar
Se eu perder tudo, perder tudo
Perder tudo
Se eu perder tudo fora da muralha
Vivo para morrer outro dia”

A letra conta exatamente tudo que Isayama prometeu para o nosso antagonista: um personagem que não teve opção a não ser carregar uma responsabilidade enorme nas costas e ver seus ideais afetarem os outros, sem se preocupar com as consequências.

Assim como a abertura reflete no tema do anime, a música de encerramento (‘Akuma no Ko’ de Ai Higuchi) transmite essas emoções de forma linda e tocante. MAPPA acertou em cheio na escolha da música e imagens finais:

“Mesmo que esse mundo seja cruel, eu ainda te amo com todo o meu coração
Não importa o que eu tenha que sacrificar, sempre estarei lá para protegê-lo
Mesmo que eu esteja cometendo um erro, eu não duvido de mim nem por um instante
O que é certo é acreditar em mim mesmo até o fim
A guerra é estúpida e cruel
Porque eu me importaria com um país que nem conheço?
Porque você o despreza tanto?
Porque não posso esconder meus sentimentos obscuros?
Parece que eu nem consigo explicá-los direito
Que bando de contradições nós somos”

Um grande complemento para a música de abertura.

O início de tudo

A segunda parte da 4ª temporada começou logo onde terminou a primeira parte: Levi machucado, facção Yeager ao encontro de Zeke e ataque de Marley à ilha Paradis.

O enredo da temporada seguiu fielmente o mangá, a ponto de um episódio do anime conseguir adaptar mais ou menos um capítulo do mangá. Alguns momentos do anime pareceram estar melhor representados no mangá e outros melhores no anime, então podemos afirmar que um completa a experiência do outro.

Com essa adaptação lenta, muitos fãs sentiram que o anime estava enrolando demais. Fatos são: você não consegue um resultado bom apressando os eventos. Attack on Titan está em seu rumo final, por isso, acredito que o estúdio alongou o máximo que conseguiu algumas cenas para que pudéssemos ter uma experiência muito boa, já que o mangá, para muitos, deixou a desejar. Porém, eu, que gosto do mangá e do anime, senti falta em alguns episódios de uma melhor direção e apresentação de eventos.

Acredito que momentos dos episódios iniciais do anime deixaram a desejar com cenas que poderiam ter sido melhor dirigidas e falta de um fator surpresa que pudesse deixar as cenas mais tensas. Isso se reverte conforme o decorrer do anime; a melhora é evidente, tanto na movimentação de personagens quanto na movimentação de ângulos. Um excelente trabalho do estúdio MAPPA!

Design de personagens e CGI

O design dos personagens seguiu como a primeira parte: abuso do CGI nos Titãs e em alguns movimentos de cena para personagens. Porém, notamos uma GRANDE diferença no episódio 86 (Retrospectiva), onde Mikasa, Jean e os Titãs Blindado e Fêmea tiveram suas cenas muito bem dirigidas e animadas!

Inclusive, o diretor de animação do episódio 86, Fumihide Sai, foi responsável pelos episódios 77, 79, 82 e 83, além de estar por trás de alguns episódios de animes como: Gantz, Zetsuen no Tempest, Grand Blue Fantasy e o sexto filme de One Piece (Baron Omatsuri and the Secret Island).

Além também do diretor geral do episódio, Jun Shishido, que dirigiu vários episódios da primeira e da segunda parte do anime. E claro que Jun já passou por outros animes como diretor, por exemplo em Banana Fish (ep. 9), Hajime no Ippo e Death Parade.

Sabemos que a MAPPA teve pouco tempo para colocar o anime em prática, então deixo meu elogio a todo esforço da equipe em trazer o anime para nós.

O enredo [sem spoilers]

Tensão foi a palavra que definiu essa segunda parte de Attack on Titan. Não só para os personagens do anime, mas para os telespectadores que acompanharam a jornada por mais alguns episódios.

Se tem uma coisa que Attack on Titan faz perfeitamente é usar seus elementos narrativos a favor da construção poética, psicológica, política e sociológica abordados intensamente no anime. E, em especial nessa segunda parte da temporada, temos novas abordagens das crenças, traumas e fardos de cada personagem postos à prova.

MAPPA trouxe uma diversidade de estilos e narrativas dentro do anime que teve seu palco mais uma vez na ilha Paradis. O diferencial da narrativa para as outras temporadas está justamente em o quão madura a história se tornou.

Conflitos não resolvidos chegam ao seu clímax e partem para o arco final da narrativa que não se concluiu nesta segunda parte da temporada. Sim, a temporada nova encerrou com 12 episódios e sua conclusão geral dos fatos ficou para 2023.

O enredo [com spoilers]

O anime, até então, tem seu auge de cenas e momentos da intensa batalha para conseguir a tal liberdade que Eren sempre quis para a Ilha Paradis. Nos primeiros episódios seguimos a Facção Yeager e Zeke em busca de concretizar seu plano de Eutanásia, plano o qual tiraria o poder de reprodução dos Eldianos. Enquanto que, parte do nosso grupo principal da ilha brigava internamente em como prosseguir com a situação atual.

Vemos personagens mais maduros, mais tensos, mais flexíveis em suas crenças (outros nem tanto), já que a história abraça diretrizes políticas e sociais intensas às quais ficam explícitas tanto na primeira quanto na segunda parte. Moral e ética são colocados à prova.

Não só mais maduros, mas também mais perceptíveis ao quão cruel foi a doutrinação de um povo. Gabi é nosso maior exemplo disso. Aqui defendo com unhas e dentes que, mesmo matando Sasha, Gabi foi uma vítima de todo sistema. Sua relação com a família de Sasha mostra o quanto Gabi está arrependida, confusa e com medo, pois a guerra é um ciclo de ódio.

“Não há demônios nessa ilha,… Só tinham pessoas”, ela afirma.

Nesse momento a cena troca para gaiolas com suas portas abertas, que pode ser uma analogia de que Gabi está finalmente se libertando dos ensinamentos opressores e ditatoriais sobre os demônios da ilha Paradis. Uma personagem com um caminho muito importante para a saga.

Na cena, Gabi e Falco escondidos com gaiolas desfocadas a frente delesImagem/Divulgação

Claro que não somente Gabi foi importante, mas a relação de Zeke e Eren também!

Em certo momento da tensão descobrimos que Eren realmente não compactuava com o plano de Zeke. Nisso Zeke arrasta Eren para as próprias memórias de seu pai para provar que ele estava errado.

Bom, sabemos que a reviravolta foi chocante para Zeke ao ver que Eren realmente foi amado, e seu pai apenas seguiu com o massacre da família Real por causa da influência do próprio filho. Acredite, essa cena no mangá também foi confusa. Mas entendemos que Eren, por causa de seu Titã de Ataque, tinha acesso às memórias de todos os seus antepassados. E, consequentemente, quando o mesmo beijou a mão de História na 3ª temporada, acessou um gatilho para ver sua versão do Futuro nas memórias de seu próprio pai. Eren então foi capaz de ver seu futuro através de Grisha, e Zeke foi o gatilho para Eren manipulasse suas memórias na caverna.

Ou seja, Eren não alterou o passado, ele apenas manipulou os eventos de forma que viessem a ocorrer do jeito que ele queria.

Aqui vemos o quão rico é o universo que Isayama criou e desenvolveu, a ponto de você poder interligar diversos eventos do passado com eventos do futuro e criar uma reviravolta de acontecimentos da narrativa.

Logo também, temos Ymir e seu passado sofredor. Rapidamente somos apresentados às origens de sua vida e de seus poderes e, se eu cheguei a citar uma péssima roteirização, esse episódio é um bom exemplo. Não foi horrível, mas poderia ter sido melhor. Muitos pontos ficaram em aberto no anime e sem uma explicação muito razoável sobre o que aconteceu de fato desde as memórias de Grisha. O anime pecou em trazer uma melhor explicação dos eventos,­— coisa que acontece no mangá —, deixando muitos telespectadores confusos sobre o rumo da trama.

A história então segue com os planos de Eren e sua determinação em acabar com o resto do mundo. Ele, com sucesso, lança o Rugido e segue em marcha para Marley e, com isso, todos os outros personagens ganham melhor destaque na parte final… Quase todos.

Marleyanos e Eldianos decidem cooperar e, para mim, essa proposta foi incrível. Uma tensão entre matar ou morrer, tirar vida de colegas e unir-se com os inimigos para um propósito maior. A sanidade dos personagens a essa altura do campeonato começa a afetar suas personalidades. As linhas de expressão marcadas nos olhos são cada vez mais evidentes por causa das consequências dessas ações.

Exemplos são dados quando vemos a luta de Connie em não se tornar um assassino apenas para salvar a mãe, temos Armin e sua (não) coragem em tirar vidas de parceiros e carregar esse fardo consigo mesmo (e seu péssimo uso do Titã Colossal), Jean descobrindo sobre a morte de Marco e, por último, uma cena que para mim representa tudo da personagem: Mikasa removendo sua manta vermelha, finalmente desapegando do que ela representa. Um desenvolvimento merecido para ela.

Ao contrário disso, não vemos mais um uso significativo para personagens que anteriormente eram essenciais, como Levi e Hange. Ambos limitados a meros personagens perdidos na trama.

Por fim, o anime no geral carregou com sucesso a adaptação da história e arrancou suspiros e emoções à flor da pele, como fez em todas as temporadas até aqui.

Também foi anunciado uma terceira parte para a saga Final, que se encerrará em 2023.

Attack On Titan Temporada Final - Parte 2

Título Original: Shingeki no Kyojin: The Final Season Part 2

Sinopse: Em um futuro diatópico a raça humana encontra um predador natural, criaturas monstruosas conhecidas como Titãs. A ameaça de extinção obrigado a humanidade a construir e se esconder dentro de enormes muralhas, que os protege dos perigos do mundo a fora a 100 anos. Finalmente a batalha final entre Eldia e Marley se inicia, Eren e Zeke estão frente ao seu plano para salvar o mundo, mas será que ambos possuem as mesmas ambições?

Data de Lançamento: 10/01/2022

País: Japão

Duração: 24 min por/ep

Estúdio: MAPPA

Diretor(s): Hayashi Yuuichirou

Elenco: Kaji Yuki, Ishikawa Yui, Hosoya Yoshimasa, Inoue Marina, Sakura Ayane

Gênero: Ação, Psicológico, Militar, Drama, Mistério, Shounen

  • Animação
    (4)
  • Enredo
    (5)
  • Trilha Sonora
    (5)
  • Personagens
    (5)
  • Desenvolvimento
    (4.5)
4.7

Sumário

Attack on Titan usa perfeitamente seus elementos narrativos a favor da construção de temas que são abordados intensamente no anime. E, em especial nessa segunda parte da temporada, temos novas abordagens das crenças, traumas e fardos de cada personagem postos à prova. Uma temporada que teve algumas falhas mas no geral continuou com sua qualidade excepcional de direção, animação e trilha sonora.

Pros

  • Músicas de abertura e encerramento incríveis
  • Enredo bem desenvolvido
  • Desenvolvimento de personagens
  • Ritmo do decorrer da história

Cons

  • Cenas com falta de melhor de direção e roteiro
  • Abuso de CGI em alguns episódios

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