Crítica | Jujutsu Kaisen 0: entre o amor e maldições

Jujutsu Kaisen 0 é com toda certeza um dos filmes em anime mais aguardados deste ano no Brasil, e promete chegar aos cinemas brasileiros com força total e empolgação que a série merece. A equipe do Minuto Otaku teve acesso em primeira mão ao filme e conta suas impressões sem spoilers para você saber o que esperar da nova produção de Jujutsu Kaisen.

Sobre o filme

O filme foi lançado no Japão em 24 de Dezembro de 2021, e foi sucesso de vendas de bilheteria, sendo a maior bilheteria do ano no Japão, chegando a marca em apenas 43 dias de cartaz, com 7,6 milhões de ingressos vendidos.

A história do filme é baseada no mangá prequel de mesmo nome, um one-shot de 200 páginas escrito e ilustrado por Gege Akutami, publicado pela Shueisa na revista Weekly Shōnen Jump em 2017 e no Brasil pela editora Panini em 2021.

Como dito a história é um prequel da série, ou seja, antecede os acontecimentos da primeira temporada do anime Jujutsu Kaisen. No filme acompanhamos o estudante colegial Yuuta Okkotsu, que deseja ser executado porque sofre com as ações de Rika Orimoto, espírito rancoroso de sua amiga de infância que o possuiu. Percebendo a força desta maldição, Satoru Gojou, professor da Escola Técnica Superior de Jujutsu de Tokyo, que recruta Yuuta para ensina-lo a lidar com sua maldição.

O filme é animado pelo estúdio MAPPA ( Jujutsu Kaisen, Attack on Titan 4ª) o mesmo da primeira temporada do anime, dirigido por Sunghoo Park (Jujutsu Kaisen, The God of High School), que também trabalhou no anime, portanto segue tudo na mesma dinâmica, que mantém o tom da obra.

Vale lembrar que a primeira temporada do anime está disponível na Crunchyroll e Funimation.

O amor é a maior das maldições

A introdução do filme é muito semelhante a própria história do protagonista do anime, Yuji Itadori, todavia com motivações distintas. O protagonista de Jujutsu Kaisen 0, diferente de Itadori, é motivado e amaldiçoado por amor, e possui características bem distintas de Itadori, sendo um personagem menos impulsivo e mais ponderado, embora mantenha as mesmas característica típicas de protagonista shonen, com seu coração puro, forte senso ético e moral e seu apresso pelas a amizades.

O filme é uma excelente reintrodução a obra, que em alguns pontos parece corrida e mal explicada no anime. Algo que no filme, embora em menos tempo, é  bem elaborada, como explicações simples como o funcionamento das maldições, os poderes dos personagens e o funcionamento do universo de Jujutsu Kaisen como um todo. Recapitulando informações importantes que podem ter passado despercebidas.

Também temos personagens já conhecidos e amados que dão as caras, quase como uma homenagem, e faz sentir aquela saudade nostálgica do anime.  Ambientes com qual estamos acostumados são reintroduzidos, realmente dando um ar de estar de volta ao começa da obra.

Em si o filme é um excelente resumo de tudo que vimos até agora no anime, não apresentando muitos novos elementos, mas trabalhando de forma descente aqueles que já foram apresentados ao público.

A dança dos Yokai

E claro, o que todos esperamos e desejamos ver em Jujutsu Kaisen, está muito presente no filme, os famosos yokais e maldições. No filme as bizarras formas, caras e bocas são mostradas a todo momento, mesmo sendo maldições fracas, de baixo nível, seus designs realmente apavoram e pesam nas cenas, dando tensão aos conflitos. E traz de volta aquela sensação de: mas que raios é isso?! de tão bizarro.

Algo que no anime foi bem explorado no inicio, depois virou um pano de fundo para outros tipos de maldições. O filme resgata a “vibe sinistra” das maldições iniciais, com seus corpos amorfos, estranhos,  e peculiaridades, típicos do imaginário de terror japonês. Obviamente trazendo os personagens de volta ao local mais tenebroso do horror nipônico, os corredores das escolas.

Olhos e ouvidos abertos

A trilha sonora do filme é incrível, e trás algo diferente do habitual japonês, ao som músicas em inglês. Com a trilha de fundo entramos novamente no sinistro e frenético universo de Jujutsu Kaisen. Mas confesso que em algumas cenas tive a sensação que faltou uma trilha mais presente para intensificar alguns momentos. Todavia isso é apenas um detalhe que não desmerece em nada a obra.

Outro ponto que destaco é o excelente trabalho de dublagem, que enfatiza as melhores características dos personagens. Foi a primeira vez que vi os personagens de Jujutsu Kaisen dublados em português, e tive aquela nostálgica vibe dos animes que assistia na TV brasileira, com sacadas e frases únicas, à la Yuyu Haskusho. Destaco a voz de Eduardo Borgerth no personagem Panda, que não poderia ser mais perfeita.

A animação é digna do padrão MAPPA de qualidade, você pode esperar tudo que viu no anime e mais. As cenas de ação são fluídas e ao mesmo tempo marcadas e nítidas, subindo o tom de realismo das lutas, com direito até a movimentos de artes marciais complexos.

A colorização das cenas, que também é um destaque no anime, se mantém no filme. As mudanças nos tons de cores dos ambientes é quase perfeita e se encaixa sempre com a magnitude da cena, destacando o sentimento que ela deseja passar. O destaque na colorização dos poderes, as luzes vibrantes e desenhos ao estilo pincel japonês continua sendo uma marca registrada da série. E claro, os olhos azuis mais bem animados do mundo também está presente.

Maldição

E aqui levanto um problema da obra de Jujutsu Kaisen, é capaz que muitos achem o protagonista do filme, Yuuta Okkotsu mais interessante que o próprio Yuji Itadori do anime, que leva a um grande impasse. Em poucas horas o personagem é tão bem trabalhado e desenvolvido, que faz o personagem do anime parecer muito bobo.

Mas ambos possuem características distintas e vai caber ao publico escolher seu favorito dependendo das características que mais apreciam em um protagonista. Pessoalmente, acho que o personagem de Yuuta se encaixa muito mais na obra, com um tom mais pesado. Todavia talvez seja essa uma das características de Yuji Itadori, ele carrega em si uma leveza, algo descontraído, em um universo tão sinistro, sendo um alivio cômico em muitos momentos serie, algo que outros personagens principais como Megumi Fushiguro e Nobara Kugisaki não trazem tanto, com sua seriedade.

Mas como disse, cabe aos fãs e ao público, decidirem qual seu favorito, espada ou punhos!

Conclusão

Por fim o longa-metragem tem todos os elementos que um filme de anime deve ter: uma boa introdução, relevância para história principal, novos personagens bem trabalhados, vilões realmente impactantes e mais mistérios e perguntas a serem respondidas.

O filme se encaixa totalmente na obra e deixa um gosto de quero mais, que infelizmente só deve chegar em 2023, com a segunda temporada do anime. Até vamos vibrar emoções positivas para não criarmos maldições para a obra e nos mesmos

E fique atento, além de uma ceninha pós-credito, o filme traz vários fatos novos e relevantes para a série, sendo uma história prequel de respeito.

Crítica | Jujutsu Kaisen 0: entre o amor e maldições

Título Original: Jujutsu Kaisen 0

Sinopse: A história é baseada em um mangá prelúdio da série e acompanha o estudante colegial Yuuta Okkotsu, um garoto que deseja ser executado por não aguentar mais sofrer com um rancoroso espírito de sua amiga de infância Rika que não o deixa em paz. Cabe então ao professor Satoru Gojou, mestre que ensina a exorcizar maldições, transferir Yuuta para a Escola Técnica Superior de Jujutsu de Tokyo, dando início a trama.

Data de Lançamento: 24/12/2021

País: Japão

Duração: 1h45min

Estúdio: MAPPA

Diretor(s): Sunghoo Park (Jujutsu Kaisen, The God of High School)

Elenco: Pedro Alcântara (Yuta Okkotsu), Carol Iecker (Rika Orimoto), Léo Rabelo (Satoru Gojo), Natali Pazete (Maki Zen’in), Erick Bougleux (Toge Inumaki), Eduardo Borgerth (Panda)

Gênero: Ação, Sobrenatural

  • Animação
    (5)
  • Enredo
    (5)
  • Trilha Sonora
    (4)
  • Personagens
    (5)
  • Desenvolvimento
    (5)
4.8

Sumário

O filme é uma excelente reintrodução a tudo que foi mostrado até o momento no anime. Os personagens são bem desenvolvidos em pouco tempo ao longo do enredo, o que torna o filme relevante para a série trazendo novos elementos e perguntas. A animação é ao alto padrão de qualidade do estúdio MAPPA, e a trilha sonora não deixa a desejar embora seja mais leve e sútil, dando um ar melódico a uma série tão sinistra.

Pros

  • Excelente reintrodução a obra
  • Relevância para obra principal
  • Personagem principal bem desenvolvido
  • Maldições mais bizarras que nunca
  • Animação impecável

Cons

  • Faltou uma trilha sonora mais intensa em algumas cenas de ação

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