A história da Homossexualidade na Ásia

Estamos em Junho, mês do orgulho LGBT e embora a maioria dos meus posts sejam sobre conteúdo LGBT, este mês não poderia ser diferente.

Hoje falaremos um pouco da homossexualidade na Ásia e sua história. A homossexualidade masculina pelo menos. A feminina também existia, claro, mas ela é pouco documentada pois acreditava-se que mulheres eram seres inferiores e receptáculos para bebês apenas, logo, os amores entre mulheres nunca nem sequer foram levados a sério para serem documentados. Quando ocorriam, era visto como uma brincadeira ou uma amizade apenas.

Muitos aqui com certeza sabem do conteúdo yaoi/BL/danmei que circula nos mangás, manhwas e até mesmo manhuas e novels. No entanto, a Ásia, de modo geral, é bastante fechada a homossexualidade. Até hoje os casamentos gays não são legalizados, a China censura conteúdo que possa conter conteúdos homossexuais e a Coreia, ainda que não da mesma maneira, tem uma visão meio próxima da do Japão sobre o assunto.

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Mas nem sempre foi assim. Samurais eram amantes de samurais, imperadores cortavam as mangas de seus robes para não acordar seus amantes que dormiam sobre ela, monges se deitavam com seus acólitos, atores que interpretavam papéis femininos eram disputados por admiradores e por um tempo, a prostituição masculina foi muito mais requerida do que a feminina.

No Japão, não apenas a cultura incentivava este tipo de comportamento, como isto era chamado de nanshoku, “caminho do povo”, ou seja, algo que era amplamente comum na cultura japonesa.

Além disso, a religião nada restringia, e pelo contrário, existiam deuses que abençoavam este tipo de prática, sendo retratados inclusive, na Era Tokugawa, como também praticantes da homossexualidade: Tenjin, Hachiman, Myuoshin e Shinmeikame eram os padroeiros do nanshoku.

Estudiosos confucionistas não apenas não se importavam com a homossexualidade, como também eram adeptos de tal prática. A busca por um “wakashu”, homem jovem que exercia o papel de um terceiro sexo já que era um amante masculino com a função passiva, era tão grande não somente pela população, mas também pelos monges e quando suas caravanas chegavam a uma cidade todos os wakashus, e na sua falta onnagatas (atores que atuavam como mulheres no teatro e que muitas vezes se prostituíam), lucravam muito bem por seus serviços sexuais.

Penteado usado pelos Wakashus

O desejo pelos wakashus era tão grande (tanto por homens quanto mulheres, porém, mais homens) que haviam homens que já passavam da idade de wakashu (dos 11 aos 25) que ainda usavam o estilo de cabelo que consistia em uma franja presa em um coque, cobrindo um pedaço raspado da cabeça para não perderem seu “status”.

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De forma similar, a China tinha o costume do “nanse” e as práticas homossexuais datam do século VI D.C, e acredita-se que o Japão se inspirou no “nanse” para criar o “nanshoku”.

A Coreia tinha eunucos que serviam como amantes masculinos e por volta do século VI também criou a cultura hwarang (garotos flores), guerreiros jovens e belos que serviam parceiros sexuais no tempo do Rei Chinhung na dinastia Silla.

Até os dias de hoje, apesar da homossexualidade não ser vista com bons olhos, sabemos que a cultura da beleza, por vezes andrógina, e da juventude ainda perpetua nestes países asiáticos, tal como a cultura idol, os romances homoafetivos e claro, o culto à eterna juventude.

Série que retrata os garotos flores, hwarang.

Bibliografia

Leupp, Gary.P. Male Colors : The Construction of Homosexuality in Tokugawa Japan. University of California Press, 1995.

Saikaku, Ihara. Amor entre Samurais.Index, 1995.

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