O que é Omegaverse?

Gravidez masculina, cio, castas e feromônios…

O MPreg, ou male pregnancy, em português, gravidez masculina existe em muitos mitos antes mesmo do cristianismo surgir. Porém, ele torna-se regra em universos ABO, ou seja, no Omegaverse. Este universo traz em seu cerne três tipos de pessoas: alfas, betas e ômegas.

Estas três classificações se assemelham muito às classes de trabalhadores do livro de Aldous Huxley, “Admirável Mundo Novo”, onde alfas estão no topo da sociedade e tem cargos importantes e maior poder aquisitivo. Betas são humanos comuns com empregos comuns porém de algum destaque e classe média e ômegas (no caso do livro, Deltas) estariam nos mais baixos cargos e seriam socialmente marginalizados.

Há um detalhe aqui, porém: ômegas possuem aparelhos reprodutores femininos e podem engravidar. Fica a critério da história de o personagem é hermafrodita ou não, mas comumente é um homem com genitália masculina e com útero e ovários.

Nem preciso dizer que ômegas são sempre do sexo masculino, já que mulheres podem engravidar normalmente. Costumam ser raros também e exalar feromônios, tal qual um animal, especialmente quando estão no cio (heat). Dependendo da história, alfas podem também exalar feromônios e ter um tipo de cio (rut).

Temos atualmente que a origem do Omegaverse se deu na década dos anos 2000 com o fandom de Supernatural já que os primeiros trabalhos de notoriedade do gênero foram do ship “Wincest” (irmãos Winchester como um casal). Embora o MPreg já existisse, características de animais foram adicionadas.

O gênero então teve seu ápice com outra série de TV: Teen Wolf. A própria série usava características do gênero ABO em seus personagens, o que fez surgir em 2011 e 2012 a ideia de “knotting”, característica do cruzamento dos canídeos, torna-se também parte do gênero.

Com o avento da internet não tarda até que a cultura do Omegaverse chegasse ao meio geek: Harry Potter, Sherlock Holmes e outras séries começam a ter fanfics do gênero e não tarda para que a tendência atinja o público feminino e gay da Ásia também.

Apesar de popular no Japão e Coreia do Sul, o gênero chega primeiro na China. Acredita-se que tenha sido trazidos pelo fandom da DC e Marvel. No entanto, é no Japão e na Coreia que o gênero se tornou mainstream: surgiam doujinshis e manhwas amadores e logo, devido à sua popularidade, surgia o primeiro mangá oficial com Omegaverse lançado pela Poe Backs, Omegaverse Project no fim de 2014.

Infográfico introdutório dos mangás do gênero Omegaverse

Foram criadas publicações voltadas exclusivamente para o gênero como a Be X Boy Omegaverse e séries como “Pendulum” e “Remnant” viraram referência do tema. Da mesma forma “Love is an Illusion” ficou na posição de liderança nos manhwas publicados no aplicativo da Lehzin.

Como se trata de um gênero criado por fãs não há um consenso entre as características do universo e elas podem ser distintas em diferentes obras. Por exemplo, o ômega pode ser marcado pelo alfa com uma mordida, ou pode usar um colar anti-mordidas, etc. Por isso, normalmente, no começo de uma obra encontra-se um manual visual das regras que são aplicadas ali.

Gosta de Omegaverse?
Conte-nos suas obras favoritas do gênero e como você conheceu este universo.

Bibliografia

Blyme Yaoi:
https://blyme-yaoi.com/2018/2019/08/24/omegaverse/

Spirit Fanfction:
https://www.spiritfanfiction.com/historia/tudo-sobre-o-universo-omegaverse-13510536/capitulo1

Busse, K. Fan Fiction and Fan Communities in the Age of the Internet: New Essays. McFarland & Company. London, 2006.

Artigos Relacionados

Comentários