Manifesto pelo direito de ser Otaku

Nesse texto venho reivindicar o direito de ser Otaku sem reduções, discriminações ou confusões com termos pejorativos e detrimentos aos gostos e hábitos que preferimos praticar.

Com o surgimento da internet popular no fim do século XX e expansão na infraestrutura no início do século XXI, o acesso mais abrangente à conteúdos produzidos em todo o mundo se tornou uma realidade. As plataformas de discussão de conteúdo, as redes sociais, os blogs, Youtube e serviços de streaming disponibilizaram campo fértil para a troca de experiências, comunicação e criação de conteúdo entre pessoas desconhecidas com gostos e hobbies em comum.

Produto midiáticos como animes, mangás, jogos, músicas, doramas e outros provenientes de culturas orientais não são novidades no ocidente, há algum tempo animes são televisionados na TV aberta e mangás são vendidos por importadoras, porém, antes da internet, sem condições de muita escolha do conteúdo por parte dos consumidores. A abertura proporcionada pela internet, os serviços de shipping/delivering e download/streaming facilitaram o acesso à conteúdos antes restritos aos locais de produção, a cultura Otaku iniciada no Japão tem se expandido pelo mundo, especialmente no Brasil, que conta com um grande público consumidor desses produtos.

Cultura Otaku

Entre o Japão, onde a cultura Otaku tem origem, e o Brasil, onde essa cultura vem se expandindo com o advento da internet, existem diferenças sociais em ser Otaku. No Japão é um estilo de vida reconhecido, com uma indústria que gera empregos e atende os públicos consumidores em suas demandas.

Enquanto no Brasil, a exportação e consumo formam a base das atividades exercidas, exclusivamente, como forma de lazer, de distração ou passatempo.

Para clarificar, Otaku é um termo usado para designar a pessoa interessada de forma extrema em produtos originários da cultura japonesa, porém no Brasil, o termo foi reduzido para identificar fãs de mangás e animes. Sem contar que os denominados Otakus ainda continuam vinculados ao estereótipo negativo de “pessoa excluída da sociedade”, o que na cultura japonesa tem outras identificações e podem ser tratadas como problemas psicossocial, os hikikomori e os NEETs.

Sem contar ainda que Otakus praticam sua cultura 100% do tempo, não é algo ocasional ou relegado a certos tempos do dia. O Otaku comprometido reflete seus gostos e hobbies em seu vestuário e acessórios, vestindo, tatuando e manifestando suas preferências em cortes e cores de cabelos. E, isso pode gerar situações inesperadas e/ou constrangedoras nos ambientes de trabalho/estudo. Locais onde existem restrições de vestimenta e expressão corporal tendem a reprimir e, mesmo, ridicularizar os Otakus. Impedindo que estes manifestem suas verdadeiras personalidades e modos de viver.

Em vista disso, esse manifesto se propõe a defender os Direitos e Deveres do Otaku. A baixo seguem a lista de pontos de ocorrência cotidianas, especificamente, no Brasil.

Direitos do Otaku

1 – Usar vestimentas estampadas com suas produções preferidas nos locais de trabalho e estudo;

2 – Dedicar tempo a apreciação de seus gostos/hobbies sem culpa;

3 – Adquirir mercadorias sem cobranças extras com valores exorbitantes;

4 – Falar, comentar e discutir animes, mangás e doramas sem serem ridicularizados ou taxados de infantis;

5 – Usar fotos de seus personagens preferidos como avatares em redes sociais;

6 – Escutar BTS e qualquer outra banda ou artista oriental, seja de K-Pop, J-Pop ou porque ouviu a OST do anime e ficou viciado;

7 – Criticar os difamadores de qualquer produção oriental que usem: “mas, eles são todos iguais”.

Deveres do Otaku

1 – Evangelizar as massas sobre a importância de Osamu Tezuka, Akira Toriyama e Hayao Miyazaki;

2 – Entender que nem todo mundo conhece o Mestre Kame, a Mestra Genkai ou o Mestre Doku de Libra;

3 – Prestigiar o trabalho dos amigos e conhecidos que se propõem a produzir conteúdo sobre cultura oriental;

4 – Ler, assistir ou jogar antes de proferir opinião sobre um produto cultural oriental;

5 – Respeitar, defender e incluir as amigas e conhecidas Otomes;

6 – Respeitar os não-Otakus, mesmo que gostem de novela (não dorama ou tokusatsu);

7 – Seguir a conduta do bom herói, sempre sorria e PLUS ULTRA!

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