O primeiro super-herói do mundo é japonês

Quando cogitamos no que diz respeito a origem dos super-heróis, não se demora muito para pensarmos em nosso querido kryptoniano de capa e botas vermelhas, vestes azuis e que carrega consigo o símbolo da esperança no peito, Superman. Criado pela dupla Jerry Siegel e Joe Shuster por definitivo em 18 de abril de 1938 em Cleveland, sendo inicialmente publicado em tiras de jornais e não demorando muito para dar sua cara nas revistas em quadrinhos americanas.

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Entretanto, no início de 1934, já existia um personagem de características heroicas chamado Mandrake, o Mago. Criado por Lee Falk( também autor do”O Fantasma“, um personagem bastante popular dos anos 40), o mago era um ilusionista que se valia de uma impossível técnica de hipnose instantânea, aplicada com os olhos e gestos das mãos, e de poderes telepatas, quando enfrentava seus vilões. Então, teria sido Mandrake o pioneiro dos super-heróis? Tudo indicaria que sim, entretanto, a verdade é que um dos pioneiros do gênero trata-se de um personagem Japonês.

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Ōgon Batto (黄金 バット , lit. Morcego Dourado), é um super-herói japonês criado por Ichigo Suziki (escritor) e Takeo Nagamatsu (ilustrador). Golden Bat apareceu pela primeira vez em 1930, no chamado Kuro Batto (黒バット, lit. Morcego Preto), uma peça popular de kamishibai ( 紙芝居), um tipo de teatro que utilizava papel. Onde se contava a história do personagem que dava nome a peça, um fantasma rapinador que possuía uma face esquelética preta e que roubava suas vítimas ao seu bel-prazer.

Apesar de protagonizar sua própria peça e por possuir habilidades sobre-humanas, graças as suas atitudes, o personagem não era considerado um herói e sim um vilão. Inicialmente a peça  teria como seu último ato a suposta derrota de Kuro Batto por outro personagem, no entanto graças a seu poder de imortalidade, a solução se tornava inconclusiva. A partir daí surge a ideia de se criar uma figura contrastante a do vilão e mais poderosa e aliada da justiça, surgindo então o Ōgon Batto. Apesar de sua presença limitar-se somente ao ato final da peça, foi mais que o suficiente para causar um grande impacto ao público juvenil, rapidamente o tornando personagem popular. A partir daí, a presença de Ōgon Batto foram ficando maiores até consequentemente se tornar o personagem principal.

Sua grande popularidade foi devida a sua majoritária presença nos teatros de kamishibai. Devido aos ataques aéreos da Segunda Guerra Mundial, muitos desses teatros acabaram sendo totalmente destruídos e outros danificados, entretanto a popularidade de Ōgon Batto não tinha diminuído nem um pouco, logo o personagem foi adaptado para as mais diferentes mídias com um roteiro e universo próprio como mangás, um por Osamu Tezuka chamado Kaitō Ōgon Bat (1947) e outro pelo próprio Takeo Nagamatsu em 1948.

Sua grande popularidade foi devida a sua majoritária presença nos teatros de kamishibai. Devido aos ataques aéreos da Segunda Guerra Mundial, muitos desses teatros acabaram sendo totalmente destruídos e outros danificados, entretanto a popularidade….”

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Em 1966, também foi adaptado para os cinemas no filme Ōgon Batto produzido pela Toei Company e estrelado por Sonny Chiba. O personagem também ganhou uma versão em anime dirigida por Noburu Ishiguro, e exibida no Japão entre 1967 e 1968. Curiosamente essa série também foi exibida no Brasil, entre 1973 e 1984 pela TV Record. Tendo duas dublagens, a primeira chamada Fantomas e a segunda Phantaman, exibida no final dos 70 e começo dos 80.

Seu roteiro era simples. Ōgon Batto é um ser da extinta Atlantis, enviado dez mil anos à frente do seu tempo para batalhar Dr. Erich Nazō (ナゾー), líder de um sindicato do crime com o objetivo de dominação mundial. Ōgon Batto tem um nível de poder incomparável. É extremamente veloz e sua força lhe permite erguer muitas toneladas. Além disso, ele pode controlar tempestades, criar terremotos, voar a grandes velocidades e até viajar por outras dimensões. A maior arma de Ōgon Batto é sua clava, que pode se mover sozinha segundo a vontade do herói e até rasgar qualquer coisa. Mesmo tendo um incrível poder e um corpo feito de um metal indestrutível, sua única fraqueza é a desidratação. Se o corpo dele ficar completamente sem o menor vestígio de umidade, ele ficará imóvel. No entanto, essa desidratação completa só pode ser conseguida com o uso de máquinas.

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Comentários

  1. Que incrível essa curiosidade. Já tinha assistido algumas palestras sobre a história das HQ’s e sempre especulavam para o Superhomem quando se tratava de primeiro quadrinho. Eu adorei conhecer sobre Ogon Batto.

  2. Luan, parabéns pelo texto! Não conhecia essa história do Ogon Batto! Muito interessante perceber que diferente dos heróis ocidentais, esse herói japonês tem uma aparência que remete ao perigo, ameaça… fiquei curiosa!! Será uma referência à proposta de intervenção de tecnologias científicas ocidentais no território japonês? Por causa dessa relação do personagem com terremotos, lembrei logo que no início do século XX o Japão já estava sofrendo influência dessas tecnologias científicas baseadas em estudos da sismologia para prevenir algumas consequências dos terremotos. Diante de crenças culturais que prezavam pela coexistência e aceitação em relação a essas manifestações naturais.

  3. Parabéns Luan, muito bacana o seu texto e muito bem ilustrado com referências a figuras e vídeos. Você mostrou detalhadamente fatos que eu desconhecia, além de nunca ter ouvido falar do Ogon Batto, embora me lembre que havia um desenho do Phantaman, porém era numa época em que trabalhava e estudava e tinha muito pouco tempo para a TV. Para mim o primeiro super-herói japonês era o National Kid que eu gostava muito e me parece que fez mais sucesso no Brasil do que no Japão (E tenho a “Lata do Colecionador” com todos os episódios em DVD). Mais uma vez ótimo artigo. Obrigado por compartilhar seu conhecimento. Abraços