Queerbaiting é representatividade LGBT?

O que é queerbaiting afinal?

O queerbaiting, do inglês: uma “isca queer”, é uma estratégia midiática em que é mostrada uma tensão romântica ou sexual entre personagens do mesmo gênero, com a intenção de aumentar a audiência, atraindo o público LGBT que busca representatividade nas obras de ficção. No entanto, um relacionamento de fato entre os personagens não é retratado ou desenvolvido.

Pequenas sutilezas podem ser notadas: palavras que indicam sentimentos, olhares trocados, personagens que sempre andam juntos. Tudo isso pra ficar na mente do fã, mas desculpe a sinceridade, seu ship nunca será canônico.

Nota-se inclusive uma tendência nas animações esportivas atuais em haver uma sutil relação homoafetiva nos personagens, como acontece com Free! (2013) de natação, Haikyuu!! (2014), sobre vôlei, e Yuri!!! On Ice (2016), sobre patinação no gelo. Isso provavelmente se dá por conta da intensa amizade e companheirismo dos personagens, que dá asas à imaginação dos espectadores.

Imagem/Divulgação

Outros animes já haviam trazido outros casais potencialmente homossexuais, e a escolha da palavra potencialmente se dá pelo fato de que existem apenas sutis demonstrações de afeto entre eles que podem ou não significar um relacionamento, ficando isto a critério da imaginação e interpretação dos fãs. Porém, estes personagens eram secundários, como os vilões Kunzite e Zoisite em Sailor Moon (1992) ou mesmo Shinji e Kaworu em Neon Genesis Evangelion (1997). Esta prática é bastante comum em animes originados de publicações shoujo. Por outro lado, nos animes originados do shounen, os personagens tidos como queer raramente possuem relacionamento com algum outro personagem e costumam ser alívio cômico ou vilões sádicos.

Por mais que possa parecer uma tentativa de inclusão do público LGBT nas animações – público que cresce cada vez mais e busca sua representatividade –, os estúdios sabem que uma relação entre pessoas do mesmo gênero chama atenção, porém ao mesmo tempo não querem se comprometer, já que o número de pessoas com um pensamento mais conservador, especialmente no Japão, é muito grande e não seria interessante perder esse público. Portanto, o queerbaiting seria uma maneira de “agradar a todos” sem se comprometer com nenhum público.

E quando é queerbaiting e quando não é?

Não há bem uma definição objetiva sobre isso, mas se o “casal” tido como queer é secundário, tem pouca ou nenhuma relevância na trama e seu relacionamento é pouco ou nada explorado, as chances de ser um queerbaiting são bem grandes.

Algumas vezes um estúdio pode ser desencorajado a colocar um relacionamento homossexual para não afunilar muito o seu nicho e demografia (animes são licenciados para outros países, é de interesse que seu público seja grande e colocar um relacionamento explícito pode diminuir esse público) ou ainda, questões como censura (tal qual acontece na China) podem ocorrer.

Consegue pensar em mais algum anime com queerbaiting? Deixe nos comentários pra gente.

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Comentários

  1. Michele, muito interessante teu texto. Eu já discuti sobre pink money, falsa representatividade, princípio da smurfette e etc, mas nunca tinha visto esse termo.
    Agora fiquei pensando se esse termo se aplica também a situações que não envolvam necessariamente romanticidade ou sexualidade, já que queer também engloba corpo e gênero.

    Do teu ponto de vista é bom haver o queerbaiting? Pra mim é algo complexo, apesar de que eu tendo para o lado negativo. Por um lado a gente percebe que o objetivo não é promover ou afirmar grupos na sociedade, realmente é só o lucro mesmo. Por outro lado, como efeito indireto parece que a necessidade de se chamar um público queer indica que ele já é expressivo na sociedade, e os relacionamentos só superficialmente tocados ainda, por si, entregam mensagens para um público conservador. É um dito não explicitamente dito, digamos.

    1. Oi Dangelles, acho que você já meio que respondeu o que eu ia te responder.
      Mas eu acho mais bom do que ruim, porque mesmo que não haja representatividade real ali, é “melhor do que nada”, sabe? Melhor do que negar a existência do público LGBTQIA+. Além do que, saber que há um fandom que vai criar conteúdo mais denso sobre aquece o meu coraçãozinho.
      E sim, eu acredito que englobe mais do que casais homoafetivos. E sim, é melhor termos um queerbating do que um gay cheio dos estereótipos, ao meu ver pelo menos, por conta da sutileza com o qual o assunto é abordado.