A existência e a realidade virtual em CrossCode: Parte 1

CrossCode é um RPG indie desenvolvido pelo grupo independente Radical Fish. O jogo traz um visual pixelado incrível e uma exploração que possui claramente influências da série de jogos Zelda, mas que inova em inúmeros aspectos como em relação à construção dos mapas e suas interconexões.

Meu objetivo com este texto é abordar, na verdade, aspectos do enredo do jogo para pensar sobre noção de existência, identidade e sua relação com o virtual. Já venho falando sobre a relação entre jogos e aspectos sociais em diversos textos pelo Minuto Otaku.

Um pouco sobre o jogo

CrossCode se passa em um MMO, num mundo em que a tecnologia está tão avançada que é possível vivenciar jogos de maneira muito mais direta. É possível ver, sentir, ouvir tudo o que se passa no jogo através de um equipamento que projeta uma realidade virtual. Dentro do jogo você controlará Lea, uma personagem recém ingressa que não consegue se comunicar verbalmente.

Lea não compreende porque está no jogo, pois não se lembra de fatos da sua vida no mundo “real”. Neste caso ela decide explorar o próprio jogo em busca de informações que possam lhe fazer lembrar, seguindo as orientações de uma pessoa, chamada Sergey, que lhe auxilia neste processo. Assim, Lea deve pretender que está jogando, quando na verdade sua jornada é em busca de si mesma.

O jogo em si foi construído dentro da lógica de um MMO, porém sem o aspecto da criação de personagem. Existem quests a serem feitas, algumas incrivelmente hilárias, outras extremamente inteligentes e criativas. Também existem combates contra inimigos, no qual é possível utilizar ataques de curto e de longo alcance, além de ser possível manipular quatro elementos: fogo, gelo, raio e onda (algo similar ao vento).

Se a série Zelda já explora a ideia de puzzles, trazendo a tona algum tipo de raciocínio lógico a ser desenvolvido pelo jogador ou jogadora, este jogo leva a ideia de puzzles ao extremo, tornando-se amado por quem também ama puzzles (eu!!) e evitado por pessoas que não curtem tanto.

Imagem/Divulgação: belíssimo visual pixelado de CrossCode. É possível perceber que, apesar de 2D, os mapas possuem múltiplas camadas, o que torna a exploração muito mais interessante.

O jogo utilizará absolutamente tudo dentro dos puzzles: todos os tipos de ataques, todos os elementos, noções de tempo e espaço, e muitas outras coisas. O mais legal é que os combates também funcionam como puzzles, principalmente aquele contra chefes. Isso significa que não basta só bater, é necessário explorar o cenário e utilizá-lo a seu favor.

Só isso já me cativou completamente, pois já joguei inúmeros RPGs e nunca tinha encontrado um jogo como esse. Porém, este não é o assunto do texto, desejava apenas situar o leitor ou leitora para alguns aspectos do enredo. Ressalto que a partir de agora precisarei trazer spoilers sobre o jogo.

Se você gostou do jogo e não quer receber spoilers sobre o que vai acontecer vá jogá-lo e depois disso venha refletir sobre ele lendo este texto! E acessando sua segunda parte aqui!

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