Reflexões sobre a Crônica de Arthdal

Um k-drama sul-coreano que pode ser um convite para reflexão? Em tempos de crise é possível sonhar? Em analogia a Crônica de Arthdal onde quase todos aqueles que sonhavam haviam  sidos exterminados, por razões ainda muito sensíveis.  Faço um convite para a reflexão, como acontece com a maioria das sociedades ao longo da história da humanidade somos transpassados pelo terrível impasse entre a felicidade (viver) e o poder (ilusão).

Convido a refletir o trecho da música Imagine de John Lennon:

 “Você pode dizer que sou um sonhador

Mas eu não sou o único

Eu espero que algum dia você se junte a nós

E o mundo será como um só”

Ao ressignificar nossas próprias vivências nos permitimos dizer, não, somos vulnerabilidades até dizermos sim. Aprendemos que um ato de bondade não é sinônimo de fidelidade, quando ocorre algum ato de afeto não é eterno é mera reciprocidade, não entregamos nossas almas com presentes mas com presença.

 Apagar a existência é fácil difícil é não sentir nada, ao percorrer uma jornada árdua entre seus pequenos e figurados atos de convivência com a humanidade, com sigo mesmo, somos obrigados a tomarmos escolhas. Escolher, não é definitivo mas tem um ponto importante entre o que você sabe e o que você precisa. As incertezas são inúmeras, você cresce em um sistema religioso dogmático, normativo, vê algumas figuras sacralizadas no seu imaginário sendo desmistificadas e outras fundamentadas, pelo FARDO da VERDADE, aquela verdade que é validada em fatos, argumentação, pesquisa, fontes, não é um dogma. A pesquisa científica, artística simbólica é como a morte de uma lagarta e sua consolidação é a abertura do casulo. Assim é a dinâmica das nossas jornadas  ao assistir Crônica de Arthdal, somos convidados a pensar em como a logística dos sistemas funcionam e como as jornadas de cada personagem pode ser completamente diferente, única ao passo que a narrativa nos leva a sentir cada mudança, é possível sentir-se parte de todos os pontos de vista. Ao refletir sobre cada uma das simbologia entre os personagens, Saya, Eun-seom (por Song Joong-ki), Tan-ya (por Kim Ji-won), Ta-gon (por Jang Dong-gun) Kim Ok-vin como Tae Al-ha entre. Ver cada trajetória nos faz vibrar  e em outro momento chorar, detestar. Nesse mesmo jogo com a trajetória do conhecimento à medida que temos mais conhecimento sobre determinada “coisa” nossa percepção muda.  

Ao iniciar uma jornada entre 4 simbologias distintas mas que são parte de um cenário que permite aludir às formas pelas quais a lógica da existência pode ser significada, de acordo com o sistema vigente, perceber que ao invés de aceitarmos que somos sujeitos suscetíveis ao aprender e sensíveis a mudança, rompemos com a lógica normativa dos sistemas que tem em sua gênese, a capacidade de desumanização. Por isso ao fazer a correlação com a música Imagine, antes, durante ou depois de assistir Crônica de Arthdal te traz aquele cheque, que para todo jogo, todas as diferentes tribos e formas de governo, convergem com a forma primitiva das relações, o poder, no entanto o k-drama é um lugar de reflexão da forma como temos lidado com as escolhas como temos nos colocado em relação a estruturas de acordo com a forma simplista de ser a partir de apenas uma perspectiva sem se permitir transgredir porque afinal o mundo é daqueles que sonham. 

Nota extra: Acredito que a presença significativa do jovem Kim Do-hoon como Yang-cha na narrativa seja de uma importância imensa, assista novamente a cena onde ele está protegendo Tan-ya no 15° episódio. 

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Comentários

  1. É incrível como todos os personagens de Arthdal são incrivelmente humanizados, todos eles cometem falhas, atitudes que dariam pra dizer que eles não são boas pessoas, mas nossa a percepção de quem é o “vilão” muda a cada ato da história, chega um momento que tu tá torcendo pra quem tu achou que ia ser o mal do dorama, não por ele ser bom mas sim pq a trama trabalha tão bem os personagens que tu se envolve como se você estivesse no lugar dele. Esse dorama é realmente incrível.