O suicídio em Life is Strange: Parte 1

No dia 10 de Setembro acontece o Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio, mas o tema é tão presente entre as sociedades que hoje ele compõe um mês inteiro chamado Setembro Amarelo. Cujo as campanhas ocorreram mês passado. Mas o que isso tem haver com o jogo Life is Strange? Ou mesmo com jogos de maneira geral?

No texto anterior já busquei demonstrar, em linhas gerais, a relação entre jogos e temas humanos e sociais, mas basicamente posso adiantar que produções humanas sempre irão refletir temas humanos, seja no que é dito de forma explícita, ou no que é trazido de forma implícita (como as mensagens a partir das roupas de personagens, etc).

O tema do suicídio acompanha a humanidade a bastante tempo. Ele integra inclusive o pensamento do sociólogo clássico Émille Durkheim, que escreve uma obra intitulada “O Suicídio” para tentar defender a tese de que este fenômeno teria mais haver com a sociedade, por conseguinte com a sociologia, do que com questões da subjetividade humana.

Hoje sabemos que este fenômeno está ligado a questões internas e a questões da sociedade em si, e é isso que posso tentar demonstrar com o exemplo de Life is Strange. Mas antes, dedicarei esta parte do texto para falar brevemente sobre o jogo.

Sobre o jogo Life is Strange

Life is Strange é um jogo protagonizado por uma estudante chamada Max, que deixa sua cidade natal, Arcadia Bay, e volta 5 anos depois para estudar fotografia. Porém, ela descobre que pode voltar no tempo por alguns segundos, até minutos, e isso é algo que termina por mudar sua vida.

A DONTNOD, empresa desenvolvedora, buscou construir um jogo baseado em escolhas a serem tomadas em diversas situações, mas quando adicionaram o elemento da viagem no tempo o jogo se tornou bastante único. Em Life is Strange é possível ver as consequências de cada decisão tomada e voltar no tempo para ver qual seria o cenário desenhado pelas outras escolhas, porém o mais incrível é como o jogador, ou jogadora, se sente diante das várias possibilidades.

Isso ocorre devido a outro aspecto introduzido no jogo: a Teoria do caos. De forma resumida, a Teoria do caos indica que sistemas muito complexos, com muitas variáveis ou elementos que podem mudar (temperatura, humor, etc), possuem resultados muito instáveis devido a pequenas variações nas condições iniciais.

Uma diferença milimétrica no ângulo de uma tacada de sinuca pode alterar completamente a direção que todas as bolas irão seguir, por exemplo. Aplicado ao jogo, isso significa que uma escolha produzirá muitas consequências, a maioria imprevisíveis demais, e isso tudo faz com que a pessoa jogando sinta-se insegura diante da falta de um “caminho certo”, ou “melhor decisão” que pode aparecer em alguns jogos.

Um pouco sobre as escolhas em Life is Strange: Na esquerda a opção “Notificar sobre Nathan”, na direita “Esconder a verdade”.

O texto continuará na Parte 2, disponível em breve, que conterá SPOILERS! Se você acha que spoilers podem estragar sua experiência no jogo, caso queira jogá-lo, então pare aqui, jogue o jogo, e depois volte para ler!

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