Skip Beat!: a história de um feminino subjulgado

Skip beat! é um clássico shoujo que de modo nada implícito narra a vida de uma garota com perfil de um feminino subjugado, anulado pela com ausência de nutrição materna, condicionada a servir, pois foi criada como prisioneira de seu amor, o qual considerou ser o mais importante e onde dedicou toda sua alma.

A história se baseia em uma garota colegial  chamada Kyoko Mogami, de 16 anos, que possui um amor infantil  por seu amigo de infância Shoutarou “Shou“, a quem doa sua vida de forma integral. Em determinado momento Shou se muda para Tóquio e Kyoko o acompanha para apoiá-lo enquanto ele trabalhava em seu sonho de se tornar um ídolo de destaque na indústria do entretenimento. Mas depois de descobrir que Shou a considera pouco mais que uma mera governanta, ela jura se vingar entrando na indústria do entretenimento e vencendo-o no seu próprio jogo! Mas antes de entrarmos mais fundo nesse drama, vamos caminhar um pouco pelo estilo que ele representa.

Shoujo e aspectos femininos da alma

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O que me fez gostar do estilo shoujo ou josei, foi esse mergulho nos processos emocionais através de identificação do feminino, que possibilita além de sentir os dramas e emoções de um romance,  reviver mitos, contos de fadas e a fantasia do romântico, pela compreensão dos sentimentos, pensamentos e emoções junto aos personagens. Mas assim como nas histórias mais famosas do estilo shounen, o shoujo também traz os aspectos da jornada do heroína.

O shoujo vem tratar de como lidamos com padrões emocionais dentro da psique, as emoções no desenvolvimento da alma, a busca do herói para resgatar a princesa donzela, mas principalmente onde a personagem precisa vencer as crenças sociais, familiar e seu próprio desafio de se perceber como o próprio “item” de desejo.

*Psique: vem do grego Psykhé, que significaria em nosso entendimento alma. O termo é utilizado pela psicologia como sinônimo de estrutura mental.

Em geral nesse gênero personagens principais possuem uma dupla característica, uma inocência infantil, junto a astucia maliciosa, que na mitologia remontam as figuras de Eva/Lilith. Muitas das vezes para fortalecer e amadurecer sua própria alma, a personagem principal “Eva”, é sempre tentada e testada por sua “Lilith”.

Esse processo de amadurecimento, nessa jornada do encontro com o feminino mais puro de aspecto dual se dá na maioria das histórias através do feminino é subjugado, com uma família desestruturada, relacionada muitas vezes a própria referencia materna, já está condicionada pelo patriarcado, onde exige a anulação da natureza selvagem aspectos da feminilidade a originalidade, para agrupar se no sistema gerado através do poder.

Repare que sempre há uma competição entre personagens femininas, uma ex-namorada, ex-melhor amiga, ou amiga, a própria mãe, irmã, avó e assim por diante, ou um pai ausente e autoritário, onde a personagem tem que lidar com os fantasmas, de abusos, rejeição e abandono.

Pandora

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Em Skip Beat estes gatilhos favoreceram a abertura da caixa de pandora de Kyouko , onde todos os  complexos saem para fora e a personagem resgata suas forças através da raiva e ódio, como decorrer do processo inspirador da atuação e interação onde ela colocou como inspiração outro homem em seu pedestal, que a estimula a persistir e não se entregar as fragilidades evitando a queda dos seus sentimentos.  Nesse estraçalhar emocional surge uma segunda personalidade para os estados de defesa, que brotou da participação no grupo LOVE ME criado para  interação com as pessoas na indústria do entretenimento e a percepção emocional e sentimental da atuação nas diversas personagens. Como atriz ela resinifica os conflitos entre o poder e amor no processo de amadurecimento e reaproximação do contato com sua alma.

Porém a vida é uma caixinha de surpresa, Kyouko tem que começar a observar seus próximos sentimentos e lutar contra o medo de amar e tornar-se vulnerável novamente e ser traída. No entanto, o plano de vingança de Kyouko sofre um revés quase imediatamente quando ela é rejeitada pela agência de talentos de sua escolha. Felizmente, o presidente da agência dá a ela uma segunda chance e a coloca na seção recém-criada “Love Me”. Kyouko então começa sua longa jornada para o estrelato, cultivando suas habilidades como atriz e formando relacionamentos com novos amigos ao longo do caminho.

A história de Skip Beat é interessante pois sai um pouco dos clichês onde a personagens são indefesas e  sofrem pela  ilusão do “conto do cavalo branco”.  Ao contrário, um castelo mágico de vidro cai sobre sua cabeça e aí começa a jornada para descida ao profundo. A jornada da heroína é romper os valores os conceitos distorcidos no ambiente em qual interage. A  luta principal é se adentrar a sociedade e ser aceita em uma proposta, que na maioria das vezes ela não se enquadraria. É necessário perceber sua própria força e que o caminho nunca foi aceitação do mundo externo mas os processos que  a fortalecem internamente.

Em próxima parte desse artigo irei explorar mais a fundo e detalhadamente cada aspecto da jornada da heroína em seu processo de descobrimento e revelação. Aguardem!

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Comentários

  1. Eu fico muito feliz que no oriente existem tantas obras que conseguem falar de assuntos mais profundos como o feminismo, não lembro de muitas obras abrangentes assim no psicólogo feitas no ocidente. Parabéns Lili, que venham mais artigos